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Por que odiamos?

por Michael Laitman

Colaboração Vera Santos | Kabbalah e Amazônia


Em toda a natureza, não há um pingo de ódio, exceto nas pessoas. Os animais não se odeiam; é um vício exclusivamente humano. Mas há uma razão profunda de que apenas os humanos se odeiam e o fazem com tanta paixão. Inveja e busca de poder e respeito crescem dentro de nós o tempo todo. Estamos nos tornando cada vez mais implacáveis.


Quanto mais o ódio aumentar, mais perceberemos que não podemos superá-lo sozinhos, mas devemos vencê-lo ou extinguir a civilização.

No passado, era possível ver crianças brincando juntas e desfrutando a companhia umas das outras. Hoje, elas jogam seus consoles de jogos, que as colocam umas contra as outras, e tudo o que lhes interessa é ganhar.


Se você comparar gatos de dois séculos atrás com gatos que vivem hoje, não descobrirá que eles se tornaram mais ferozes. Mas se você comparar pessoas que viveram dois séculos atrás com nossa própria geração, descobrirá que somos pessoas mais egocêntricas, negligentes, que acreditam que são dignas de privilégios e geralmente, muito piores do que nossos bisavôs. De geração em geração, estamos nos tornando mais belicosos, ofensivos e sofisticados em nossa malícia.


Mas há uma boa razão para o aparente declínio perpétuo. Somos a única espécie em declínio, uma vez que apenas estamos destinados a fazer uma correção consciente de nossa natureza. A razão para o aumento nos níveis de ódio nos últimos anos, e particularmente nos últimos meses, é que o ódio deve se tornar tão feroz que nos forçará a procurar uma maneira de corrigi-lo.


Quanto mais o ódio aumentar, mais perceberemos que não podemos superá-lo sozinhos, mas devemos superá-lo ou ele extinguirá a civilização. Isso, por sua vez, nos levará, mesmo que contra a nossa vontade, a trabalhar juntos na cura. E essa cooperação obrigatória contra um inimigo que habita em cada um de nós promoverá em nós o amor recíproco. Não fosse a intensidade do ódio, não haveria necessidade de amar. Não fosse nossa derrota na luta contra o ódio, não nos voltaríamos uns para os outros.


O ódio que sentimos nunca desaparecerá. Se desaparecesse, nossa necessidade de amar também desaparecia. É precisamente o ódio crescente que nos faz aumentar o amor. À medida que avançamos em “duas pernas”, ódio e amor, marchamos em direção ao conhecimento das profundezas das emoções humanas, como podemos superar conflitos, reinar com raiva e ódio e, no processo, aprender as profundezas da natureza humana.


Somente se entendermos o papel e o significado do ódio seremos capazes de amar verdadeiramente. E quando o fizermos, veremos que todos nós, todas as cores, raças, crenças e culturas fomos criados odiosos, mas apenas para transformar o ódio em amor por nossa própria vontade.


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