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Pêssach, a Páscoa Judaica: origem, como comemoram e o que comem

A festa de Pêssach (Páscoa), a primeira das grandes festas judaicas mencionadas na Bíblia, é observada e comemorada pelos judeus mais do que qualquer outra festa do calendário judaico.

Em 2020: do início da noite do dia 8 de Abril ao início da noite do dia 16 de Abril


Pêssach celebra a saída dos Filhos de Israel da “casa da servidão” egípcia e serve para nos lembrar da importância de continuar a luta pela liberdade em cada geração. Além deste conceito espiritual fundamental, a pompa e as comidas especiais relacionadas com Pêssach a tornaram algo único entre as festas judaicas.

A Bíblia (Êxodo 12) diz: “E falou o Eterno a Moisés e a Aarão, na terra do Egito, dizendo: Este mês (Nissán) seja para vós, princípio dos meses; seja ele para vós o primeiro dos meses do ano. No dia dez deste mês, tome para si, cada homem, um cordeiro para cada família, um cordeiro para cada casa.” Este cordeiro, o cordeiro pascal, devia ser mantido até o décimo quarto dia do mês, quando era abatido, assado e compartilhado pelos membros da família. Hoje em dia, este arranjo de manjares associado com as comemorações do Sêderem família, como também as comidas preparadas para o restante de Pêssach, continuam atraindo os membros da família para que compartilhem da experiência de Pêssach.

O historiador judeu Flavius Josephus e o historiador romano Tácito estimaram o número de participantes que comemorava Pêssach em Jerusalém no ano de 65 e.c. em não menos que três milhões. Este número corresponde ao estabelecido no Talmud (Pessachim 64b), ao descrever o censo feito pelo rei Agripa. Agripa ordenou que os sacerdotes do Templo separassem um rim para cada cordeiro pascal oferecido. Como não menos que dez pessoas compartilhavam o cordeiro, calculou-se pelo número de rins separados que três milhões de judeus estavam em Jerusalém para comemorar Pêssach (cinco anos antes da destruição do Templo).

A matsá é comida durante Pêssach para cumprir o mandamento bíblico que comemora a partida repentina dos filhos de Israel do Egito: “E levou o povo a sua massa antes que estivesse levedada” (Êxodo 12:34).

O Sêder é um serviço especial feito em casa na primeira noite de Pêssach e repetido na segunda noite pelas pessoas que consideram o segundo dia como totalmente festivo. O serviço original de Pêssach (ainda não se chamava Sêder) é descrito no Êxodo: cada família deveria abater e consumir um cordeiro.

Por vários séculos após o Êxodo, até que o rei Josias, de Israel, instituiu as reformas mencionadas em Reis II, 23, o Pêssach não era comemorado do modo prescrito na Torá. Após o estabelecimento do Segundo Templo (século VI a.e.c), porém, a celebração de Pêssach foi revivida e o verso existente no Êxodo (13:8): “E anunciarás a teu filho naquele dia (a respeito do significado do Êxodo)” adquiriu novo sentido. Não está claro se o primeiro Sêder “moderno” formal foi realizado, mas acredita-se que o Raban Gamliel II, no fim do século I e.c. pode ter dado início à tradição. Foi ele quem declarou: “Quem quer que não tenha dito estas três palavras em Pêssach não cumpriu o seu dever: Pêssach (cordeiro pascal), matsá (pão não levedado) e marór (ervas amargas)”. Os estudiosos interpretam esta frase como querendo dizer que os judeus são obrigados a comer estes três ítens e a recitar a Hagadá, na qual o simbolismo de cada um deles é explicado.

A Hagadá, tal como a conhecemos hoje, é um pequeno livro onde se conta (resumidamente) a dramática história do Êxodo. Ela também contém salmos e canções para recitar e cantar comemorando o evento. A Hagadá foi introduzida pelos membros da Grande Assembléia há quase 2500 anos, para cumprir o preceito bíblico “E anunciarás a teu filho naquele dia (a respeito do significado do Êxodo)” (Êxodo 13:8).


A Hagadá é, em essência, um livro instrutivo, particularmente para os jovens e as crianças. Tradicionalmente, nas refeições normais de Shabat e dias de festa, se servem duas taças de vinho. A primeira se toma depois de recitar o Kidush no começo da refeição; a outra é cheia e erguida enquanto se reza a Oração de Graças Após as Refeições. Por ser Pêssach a Festa da Liberdade, uma comemoração tão alegre e memorável, servem-se duas taças adicionais de vinho durante o Sêder. Uma delas (a segunda taça do Sêder) é tomada logo após a leitura da Hagadá, imediatamente antes de se servir o jantar. A outra taça adicional (a quarta do Sêder) é consumida no fim do serviço, logo antes das canções e hinos de encerramento serem cantados. Outras explicações tem sido oferecidas para o costume de tomar quatro taças de vinho durante o Sêder. A mais popular estabelece que tomam-se quatro taças de vinho porque a Bíblia usa quatro verbos diferentes para descrever o drama da Redenção do cativeiro do Egito. As quatro citações à Redenção podem ser encontradas no Livro de Êxodo (6:6-7): 1. E vos tirarei de baixo das cargas do Egito. 2. E vos salvarei do seu serviço. 3. E os redimirei com braço estendido, e com grandes juízos . 4. E vos tomarei por Meu povo. Em Jerusalém, à época do Primeiro e Segundo Templos, era costume mergulhar verduras (como entrada de uma refeição) em água salgada. Isto provavelmente era devido em parte a motivos de saúde: o sal era conhecido por seu valor anti-séptico, além do seu valor como condimento. O sal era usado nos sacrifícios por sua ação preservativa: a carne se mantinha fresca por mais tempo se tivesse sido salpicada com ele. Uma explicação popular para o uso da água salgada na mesa do Sêder relaciona este costume com as muitas lágrimas (salgadas) derramadas pelos israelitas durante os seus anos de escravidão no Egito. No Sêder, a água salgada é usada primeiramente para mergulhar o carpás. Mais tarde, antes da refeição, um ovo cozido duro é embebido nesta água por todos os participantes. O ovo é um lembrete do sacrifício sagrado (Corban Chaguigá) que era trazido para o Templo. Em algumas casas hoje em dia, coloca-se um pequeno prato com água salgada (ou vinagre) na bandeja do Sêder junto com os outros seis alimentos simbólicos. fonte: http://blog.sefer.com.br/tudo-o-que-voce-gostaria-de-saber-sobre-pessach/

imagem: Google Imagens

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