• Cabala News

Lutar ou Fugir?

por Karen Berg


“Quando estiver em dúvida, não faça nada. Deixe a situação evoluir ao seu redor”.

Karen Berg e o Rav Phillip Berg (falecido em 16/9/2013 aos 86 anos)

Isto é uma coisa que meu falecido marido, Rav Berg, dizia com frequência. Vemos este conceito ilustrado muitas vezes em momentos decisivos ao longo da Bíblia, inclusive na porção desta semana, Beshalach, que é muito famosa, talvez, pela abertura do Mar Vermelho. No Kabbalah Centre, consideramos que essa seja uma das mais importantes conexões de Shabat do ano, pois ela contém os 72 Nomes de Deus, a ferramenta que Moisés utilizou para separar as águas, para que o povo pudesse escapar do exército do Faraó em segurança.


Enquanto os israelitas estavam enfrentando o Mar à sua frente, perseguidos pelo Faraó e seu exército logo atrás, a nação teve que fazer uma escolha. O Zohar revela que houve quatro reações do povo. O primeiro grupo deles disse: “Vamos simplesmente pular no mar. Estamos acabados de qualquer maneira!”. O segundo grupo disse: “Vamos voltar e nos render!”. O terceiro grupo disse: “Devemos lutar!”. A quarta opção veio do próprio Moisés, que disse: “Vamos deixar o Criador realizar Suas maravilhas por nós”.


As primeiras três são as reações mais comuns que experimentamos quando enfrentamos nosso próprio Mar Vermelho, um desafio que parece intransponível. Nosso primeiro instinto é frequentemente desistir, voltar, ou ceder completamente! O que os israelitas estavam vivenciando era alguma coisa que hoje seria comumente referida como a síndrome chamada “Lutar ou fugir”.


De fato, essa é a natureza humana. Temos um instinto primitivo de sobrevivência, e esse instinto nos fala que precisamos controlar as pessoas ou o desfecho das coisas. “Lutar ou fugir” pode tomar muitas formas diferentes, aparecendo como raiva, violência, culpa, rendição, retirada ou complacência, para citar somente algumas delas. Ainda assim, há uma terceira opção, que transcende lutar ou fugir: Certeza.


Precisamos do nosso instinto de sobrevivência. Ele nos serve bem. Nós não fomos feitos para sermos passivos. Porém, nos momentos mais árduos da vida, há uma grande diferença entre ficar parado e não fazer nada. Ficar parado e ter certeza e paz em meio ao caos e confusão, permitindo que as circunstâncias se evoluam de modo que possamos inevitavelmente ver uma figura mais clara é o oposto de não fazer nada. Quando confrontados com o impossível, ao invés de tentar controlar as coisas, muitas vezes essa é uma oportunidade para nos desapegarmos de maneira consciente e atenta.


É muito fácil entrar numa viagem mental ao primeiro sinal de problema, pensando: “Isto é terrível! Eu tenho que encontrar uma saída! Eu tenho que encontrar uma forma de vencer! Eu tenho que controlar esta situação!”. No entanto, se tivermos certeza de que cada circunstância colocada para nós, vem do Criador, e portanto, não pode ser ruim, deve ser por alguma razão. Deve haver uma lição para aprender. E talvez, a lição seja simplesmente acreditar nisto.


Este é o poder que os 72 Nomes de Deus podem nos dar naquelas horas sombrias: a consciência da certeza, de modo que possamos ultrapassar nosso instinto primitivo. Através da leitura da porção desta semana, e da meditação sobre estas belas combinações de três letras, podemos encontrar tranquilidade até mesmo em nosso conflito, para atravessar calmamente e em paz nosso próprio Mar Vermelho, permitindo ao Criador que realize Suas maravilhas para nós.


Em todo cenário difícil, há uma escolha que nos é proposta: escolher a jornada espiritual de ter certeza, no lugar da jornada terrena de buscar o controle.


98 visualizações

Receba nossas atualizações

  • Ícone do Facebook Branco
  • Ícone do Twitter Branco

© 2019 por CabalaNews. Orgulhosamente criado com Wix.com