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Alter do Chão: uma conexão com as origens

Em quatro dias de convivência com a tribo Munduruku, a simplicidade, pureza e alegria foram os ingredientes de encantamento para o nosso entrevistado desta edição

Claudinei (à direita) brindando com o Rabino Joseph Saltoun (à esquerda)

No mês de agosto anunciamos a visita programada pelo Rabino Joseph Saltoun à comunidade indígena Munduruku, uma missão especial de contato com esta tribo para uma conexão com a natureza no coração da Amazônia. E assim aconteceu entre os dias 14 e 18 de novembro de 2019. Missão cumprida.


O nosso entrevistado é o empresário Claudinei Palma Sotta, que pacientemente nos contou a sua experiência vivida junto à esta tribo, e que pode ser resumida numa única frase profundamente mística dita por ele mesmo: “Voltamos para casa!”.


CN: Antes de falarmos sobre a sua visita a Alter do Chão como participante do grupo formado e conduzido pelo Rabino Joseph Saltoun, conte um pouco sobre o Claudinei.

Claudinei: Bem, eu e a minha esposa Anete, viemos para a cidade de Carrancas há 23 anos atrás, e há 18 anos nasceu o nosso filho Thiago. Aqui nos estabelecemos produzindo artesanato esotérico e comercial como meio de vida, e claro, uma continuidade do que vínhamos produzindo em São Tomé das Letras onde vivemos por nove anos. Na época surgiram novas oportunidade de negócios além do artesanato, e com visão lançada para o futuro desta cidade, adquirimos aos poucos pedaços de terra em diferentes localidades. Em uma delas, há 14 anos atrás, idealizamos uma pousada não apenas como um instrumento comercial, mas por uma questão de cunho espiritual. A prova disso é o formato dado ao empreendimento: A “Árvore da Vida”, que pode ser visualizado acessando o nosso site www.pousadaalemdasformas.com.br.

(da esquerda para a direita) Claudinei, o filho Thiago e a esposa Anete, uma família sempre unida.

CN: Nessa ocasião a Cabalá já estava no seu manifesto espiritual?

Claudinei: Sempre fui um estudioso das questões ligadas ao “invisível”, porém acessível a qualquer ser humano. As descobertas que aconteceram ao longo dos anos levaram-me a mergulhar definitivamente no estudo da Sabedoria da Cabalá há cerca de quatro anos.


CN: O seu contato com o Rabino Joseph se deu de imediato?

Claudinei: Não. Um grande amigo nosso, o Henrique Andrade, que fez convivência com o nosso grupo em São Tomé das Letras, conheceu o Rabino Joseph que na ocasião era dirigente do Cabalá Center, realizou a publicação de livros do Rabino e iniciou o seu ‘mergulho’ na Cabalá. Isso data há mais de 27 anos atrás. Por meio do Henrique, começamos o nosso contato com a Cabalá e consequentemente com o Rabino. Desde 2016 realizamos na nossa pousada encontros com pessoas que desejavam conhecer a Cabalá, até que em janeiro de 2018 foi possível realizar o 1º Retiro ao Espírito da Cabalá, onde tivemos 54 participantes de várias regiões do Brasil. Em setembro de 2019, recentemente, organizamos e realizamos o 3º Retiro. Sempre com a coordenação e orientação do Rabino Joseph que esteve presente em todos os nossos eventos até aqui realizados.


CN: E qual seria a conexão Carrancas e o Rabino?

Claudinei: Na primeira vez em que o Rabino Joseph esteve em Carrancas, ele nos transmitiu uma mensagem de profundidade sobre a questão indígena que aconteceu aqui na cidade na época do Império. Para quem não sabe, o maior trecho da Estrada Real passa aqui por Carrancas. Muito bem. No segundo Retiro, o Rabino em sua palestra de abertura novamente teceu comentários sobre a condição especial energética do estado de Minas Gerais e em especial a cidade de Carrancas. O que aconteceu num passado longínquo, transformado em sofrimento pelos índios que aqui viveram e neste último encontro em setembro/2019, o Rabino Joseph pediu para que fosse realizado um ‘retiro’ de agradecimento à esse povo. Unidos em mais de quarenta participantes, o clima energético seria capaz, e foi, de mudar a energia do sofrimento para amor e paz. Promover assim um resgate do povo indígena que aqui viveu.


CN: A sua visão e entendimento com o resgate do povo indígena foi o motivo da sua viagem a Alter do Chão?

Claudinei: Durante a realização do 3º Retiro (setembro/2019), nos foi apresentado com detalhes a viagem que o Rabino Joseph planejava para novembro no meio da Amazônia, que para mim já tem um apelo natural. O aprendizado que venho obtendo nestes quatro anos de estudos da Cabalá e o foco dessa missão do Rabino lá em Alter do Chão foram mais do que bons motivos para inscrever-me e realizar essa fantástica viagem. Se estamos realizando trabalhos de resgate aqui para a cidade de Carrancas, por que não ir até as origens?


CN: E como foi essa experiência em Alter do Chão?

Claudinei: Eu resumo como “Uma conexão com as nossas origens”. O contato com as nossas origens, afinal de contas a civilização indígena é a percursora da moderna civilização a qual conhecemos e vivemos. É inegável isso. Portanto, compreender a forma de sociedade em que eles vivem a milênios, e o comportamento com as suas rotinas em meio à selva, traduzidos como simplicidade, pureza, alegria e família, é realmente um grande aprendizado. Traduzidos para a nossa cultura, me levou a pensar que estamos um passo atrás quanto à convivência e respeito mútuo.


CN: Durante o período em que você esteve em solo indígena, o que foi apresentado pela Tribo Munduruku sobre a cultura deles?

Claudinei: O Cacique e Pajé Sr. Domingos foi que recebeu o nosso grupo e do começo ao final da nossa jornada nessa comunidade, nos passou informações sobre a cultura e modo de vida desta tribo e de uma forma geral, o que é e como vivem as demais nações indígenas no Brasil. No primeiro dia e primeiro contato, o Cacique/Pajé participou de uma rodada de perguntas do nosso grupo. O destaque neste contato foi a importância que é dada à ancestralidade, natividade, e a convivência entre a comunidade e, de forma muito respeitosa, a natureza que os cerca.


CN: Como foi o seu contato com a natureza da selva amazônica?

Claudinei: Fizemos uma caminhada numa mata que eles classificam como “Mata primária”, que fica além da comunidade. Tive a sensação de que éramos observados de longe o tempo todos. E de fato éramos e esta certeza eu tive quando num determinado ponto dessa trilha, eu senti profundamente a minha conexão com a origem: a minha, a nossa, bem perto do imenso universo.

CN: Sobre as tradições dessa tribo, o que você destacaria?

Claudinei: São muitas coisas a serem destacadas, e entre elas muitas ficarão para sempre na minha memória. O Cacique/Pajé nos apresentou uma imagem em forma de estátua chamada “Guerreiro Velho”, feita de argila, que está instalada no centro da Oca. Um símbolo que transmite para todos dessa tribo as suas raízes. O artesanato desenvolvido por essa comunidade é o modo de vida adaptado para o contato com o grande volume de turistas que lá visitam.


CN: Qual a sua visão ou entendimento com a natividade indígena e a Cabalá?

Claudinei: Os rituais tradicionais dessa tribo com os cantos, danças típicas e folclóricas, assemelham-se a tudo o que eu já presenciei no campo místico. Agora com o estudo da Cabalá, posso entender que os costumes que lá conheci são originários e percursores da nossa civilização. Prova disso é que tivemos um ritual muito especial em que o Cacique/Pajé Sr Domingos e o Rabino Joseph Saltoun realizaram juntos um ritual da nossa despedida, unindo o cantos Maduruku com Hinos Hebraicos.


CN: Para concluirmos este bate papo, qual foi a principal ‘lição’ que você pode tirar desta experiência?

Claudinei: Tive a certeza plena de que “Voltamos para Casa”. O contato e a conexão com as nossas origens para mim ficou como um marco na minha história de vida.



imagens: Marcos Tironi


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