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A negatividade e as implicações no cérebro

"A síndrome do Hardy"


Texto: Flávia Brasil

Psicóloga Fabienne Soares

Lippy: Ah! Olha Hardy! Achamos um ótimo lugar para um picknic à sombra de uma árvore.

Hardy: Acho que ela está podre e vai cair bem encima de nós!

Lippy: Ora, seja otimista. Pense no bolo que vamos comer!

Hardy: É… mas se um bando de formigas pensar nele primeiro? Ó vida… Ó azar!


Este é um diálogo de um dos desenhos de Hanna Barbera, Lippy e Hardy. Lippy, um leão otimista, acredita que tudo vai dar certo e que o vento sempre sopra a seu favor. Já Hardy, uma hiena pessimista, só espera o fracasso, problemas e tragédias.


Conhece alguém como o Hardy? Que vive se lamentando e reclamando? Uma pessoa com esse perfil coleciona pensamentos negativos, vivem sob controle de crenças ou verdades absolutas incompatíveis com a realidade, experiencia muitas emoções negativas por não variar de comportamento o que, por sua vez, acarreta em prejuízos comportamentais, emocionais e fisiológicos. Fisiológicos? Sim, fisiológicos. Vejamos porquê.


Segundo Skinner quando nos comportamos como um todo. Diante de uma situação três aspectos caminham sempre juntos: comportamento (resposta, atitude), emocional (sentimentos, sensações) e fisiológico (processos neurais, químicos). Exemplo: Pessoas que que têm dificuldades em falar em público apresentam sensações relacionadas a ansiedade (nervosismo, medo), o que por sua vez gera sintomas físicos (sudorese, tontura, palpitações, náuseas) o que por conseguinte, desorganiza comportamentos (gagueira, repetição de palavras, “brancos”, etc.). Dentro desta perspectiva, em que um aspecto impacta no outro, pesquisas têm mostrado as consequências que a reclamação, o famoso “mimimi” (perfil de Hardy do desenho), geram no mundo fisiológico, no cérebro.


Steven Parton examinou como as emoções negativas na forma de reclamações expressas por você ou por outros afetam o cérebro e o corpo. “Sinapses que disparam juntas, se mantém juntas”, uma maneira concisa de compreender a essência da neuroplasticidade, a ciência de como o cérebro constrói suas conexões com base em tudo a que é repetidamente exposto. Negatividade e reclamações irão reproduzir mais do mesmo.


Parton prossegue: “no cérebro há uma coleção de sinapses separadas por espaços vazios chamados de fenda sináptica. Sempre que você tem um pensamento, uma sinapse dispara uma reação química através da fenda para outra sinapse, construindo assim uma ponte por onde um sinal elétrico pode atravessar, carregando a informação relevante do seu pensamento durante a descarga e toda vez que essa descarga elétrica é acionada, as sinapses se aproximam mais, a fim de diminuir a distância que a descarga elétrica precisa percorrer, o cérebro irá refazer seus próprios circuitos, alterando-se fisicamente para facilitar que as sinapses adequadas compartilhem a reação química e, tornando mais fácil para o pensamento se propagar."


Logo, as ligações elétricas mais utilizadas pelo cérebro se tornarão mais curtas, portanto, escolhidas mais frequentemente pelo cérebro. No caso de pessoas como Hardy, isto se tona um círculo vicioso, uma repetição em mandar estímulos ruins para o seu próprio mundo e para o mundo de quem a rodeia.


Então? Diante disso continuar como Hardy ou mudar para Lippy?


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