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A conexão entre a Kabbalah e a Raja-Yoga

Atualizado: 11 de Out de 2019


Por Viveka Prakriti


Conheci a Kabbalah a poucos meses a partir do curso sobre o livro O Estudo das Dez Emanações Luminosas proferido pelo Rabino Joseph Saltoun. Desde então tenho estudado a conexão entre esses ensinamentos e o Raja-Yoga, prática que me acompanha a 30 anos.

Tanto a Kabbalah como o Raja-Yoga nos mostram que possuímos ascendência sobre a matéria e que quando entramos em equilíbrio, a matéria também se equilibra, o que significa que somos co-criadores de nossa realidade.


A realidade é a resultante dos estados de cada indivíduo em um dado espaço. Sendo assim, não existe a possibilidade de progresso isolado do coletivo, o progresso se dá na interconexão de indivíduos. Devido a esse princípio, não há como progredir a partir de motivos egoístas e, uma vez que toda colaboração gera um ganho coletivo, também não é possível o altruísmo genuíno entre os humanos. Apenas Deus, a Energia Criadora, é capaz de altruísmo puro, pois Ele de nada precisa, pois nada perde, sendo assim, Sua criação é fruto de Sua abnegação altruísta. Neste estado de consciência, Deus é conhecido pelos indianos como Bholenath – O Senhor Inocente.


Ao conhecermos o Senhor Inocente, o amor é tão grande que nos damos conta de que nossa existência é dada com o objetivo de nos conectarmos à Energia Suprema. A partir dessa conexão adquirimos o poder espiritual de quebrarmos os ciclos de nossas existências, podemos evoluir exponencialmente nos tornando cada vez mais próximos e iguais ao nosso Pai Criador.


Quando Deus recebe o título de Senhor Inocente, Ele nos mostra e ensina a capacidade de não ver o mal, não ouvir o mal, não falar o mal.

Na conexão entre diferentes linhas de ensinamento espiritual, em Nikko Tosho-gu, um templo xintoísta no Japão, existe a ilustração dos três macacos sábios: Kikazaru, Iwazaru e Mizaru. A figura desses três macacos tornou-se mundialmente famosa e ganhou inúmeras versões, sempre com o ensinamento de não ver, não ouvir e não falar o mal.


Por Michael Maggs - Obra do próprio, CC BY-SA 2.5,

Os órgãos dos sentidos (como ouvidos e olhos) são a porta de entrada para estímulos que nos incitam a agir (ou falar). É importante que tenhamos a consciência de que as nossas ações são responsáveis por criar a nossa realidade. Poucos têm o conhecimento de que pensamentos também são ações, só que ações não físicas; pensar é um ato para o qual temos livre arbítrio pois somos nós quem determinamos os nossos pensamentos e não o contrário. O que acontece é que em grande parte do tempo estamos no automatismo de gerar pensamentos sem considerarmos as suas consequências e então caímos num ciclo de pensamentos inconsequentes e de consequências indesejadas. A capacidade de enxergar a relação entre as causas e os efeitos em nossas vidas aumenta a capacidade em nós de gerirmos nosso destino.


A este ponto da leitura, já deve ter ficado claro ao leitor que não podemos deixar nossos sentimentos e emoções à mercê dos acontecimentos externos, por um motivo muito simples: não temos governabilidade sobre os fatos externos, mas temos governabilidade sobre nossos sentimentos e emoções. Uma pessoa sem controle de suas emoções e sentimentos é como um barco à deriva em uma tempestade marítima. E o que é o estado de loucura se não a perda do auto-controle, ou seja, do controle de sentimentos e emoções? Quando os pensamentos inundam nossas mentes, em velocidade, intensidade e quantidade, é preciso retomarmos o timão (leme) do barco e o colocarmos no rumo certo, um rumo de calmaria e de harmonia com a natureza. Assim como um comandante de navio não o atira propositalmente em uma tempestade, nós também não devemos deixar nossos pensamentos à deriva em tempestades mentais.

A boa notícia é que leva apenas um segundo para recuperarmos o equilíbrio de nosso ser. Basta o tempo de uma respiração ou de um piscar de olhos para nos conectarmos com a Fonte Suprema de Energia Purificadora e nos tornarmos envoltos em Sua Luz que transmuta o impuro em puro. Se não conseguimos fazer isso, é devido a nosso apego aos velhos hábitos e estilos de vida, arraigados e cristalizados em nós. Nossa realidade está tão distante da realidade de Deus que passamos a duvidar de nossa capacidade de nos tornarmos a Sua imagem e semelhança e passamos a duvidar inclusive de sua própria existência. Essa dúvida nos deixa cada vez mais fracos espiritualmente e cada vez mais distantes de Deus, sendo imperativo que nos determinemos a mudar e cumprirmos nossa missão: nos tornarmos dignos de sermos filhos amados do Criador, nos aproximando deste Farol Luminoso que deseja nortear nossas vidas para que saiamos das tempestades e da escuridão.



Viveka Prakriti (Rosemar Prota) é praticante de meditação raja-yoga há trinta anos e estudiosa de danças circulares sagradas há cinco anos.


O Raja Yoga é um dos tipos de Yoga praticados e ensinados a partir do conhecimento milenar das escrituras sagradas indianas. O termo, originário do sânscrito, pode ser traduzido como Conexão Real. O conhecimento do Raja Yoga conduz práticas meditativas silenciosas em que o objetivo é se desprender do ego e se aproximar da Luz de Deus.


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